Pelos céus e as estrelas!
Que as águas desses mares inundem seus pulmões e sufraguem a penitência dos lobos caçadores de fêmeas. Tirem logo a libido que navega em suas veias, pois essa bravata levará anos para ser concluída. Novos continentes serão nosso objetivo. Novas mercadorias serão nosso alvo. Novos inimigos nos esperam. Vamos! Traga o vinho marujo. Aqui há somente uma mulher para a tripulação. Ela será nosso remédio para o enfado trazido pelo vacilo das ondas. Conquistemos o mundo! Agora, rumemos ao infinito...
- Senhor, já não temos água.
Ora, não me interrompa marujo. Toda água que precisamos está à nossa volta. Siga sempre o caminho indicado pelos astros e lá encontrará a fonte de tudo o que precisa. Por enquanto, se contente com o vinho que, apesar de não ser de boa safra, cura a amargura dos que tem sede de sangue.
- Capitão! Muito bem Capitão. Suas palavras são como mel das abelhas que sobrevoavam as flores do paraíso perdido.
Obrigado Marujo... Mas deixe os versos para o diário de bordo. Lá você poderá descrever todas as virtudes desse velho Lobo do Mar. Mas voltemos aos nossos planos: deixaremos as velas como estão até que o alvorecer nós mostre uma nova rota. Com isso, teremos mais tempo até que a neblina se desperce. Não vou repetir, prestem atenção marujos! Aqui no mediterrâneo o leme deve ser tratado com cuidado. Estamos a cada dia mais cercados por esses ratos ingleses. Se fizerem o trabalho de vocês do jeito que tem que ser feito, prometo que chegarão vivos em terra firma. Poderão até, quem sabe, dormi no afago de uma bela portenha...
- Senhor, já não temos comida.
Não creio nisso! Estas a me aborrecer novamente? Já disse que nada será negado se seguires o caminho dos mares? Qual o problema? Não consegue ver um palmo a frente da razão. És um roedor, um rato! Temes o destino como quem teme a morte numa noite mal dormida... Olhe bem marujo, estamos aqui perante uma tribulação de mais de 200 homens e você profere asneiras como uma boca de esgoto a céu aberto.
- Perdão Capitão! Perdão...
Não sei o que fiz para merecer servos tão destituídos de inteligência. Oh céus, me dai paciência! Quantas vezes preciso repetir que somos piratas e, não "trabalhamos". Nada do que temos foi conseguido com o nossos esforços. Nós simplesmente saqueamos o que os outros conseguiram através do que eles fazem. Nesse mar tão imenso deverá haver embarcações que nos fornecerão sustento. Ou o marujo está pensando que vamos cada um no mercado comprar os mantimentos necessários?
Não, não! Não diga nada. Você não é mais do que um rato de convés. O que você diz não são verdades absolutas aqui nesse barco...