sexta-feira, 11 de março de 2011

Escrevendo com pedaços de cera para calar ouvidos. Não sou poeta maldito, mas me regenero como erva daninha percorrendo labirintos. Na sua vida posso ser o mistério. Mas aniquilo suas dúvidas quando te parto com as minhas palavras.

Te crio, te faço daquele jeito. Mesmo só por um instante, te coloco diante o espelho e te admiro. Sua beleza me mostra que sou de fato um nada perto do nada que me faz conhecer tudo. Pois és tu! Dona de mia. Mia Dona! Dona de minhas roupas, dona do meu lazer, dona do que sou...

Oh, minha musa... Não se assuste... me encontre logo em alguma esquina para irmos devagarinho nos perdendo em algum esconderijo onde minhas mãos já terão um destino...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

- Todos conhecem um pouco de si nos outros...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Caminhando pela rua, observei.

Nas calçadas as pessoas faziam o banal. Abriam as portas, saiam de casa e caminhavam até se perderem no horizonte. Dia após dia, a mesma rotina. Lembro de quando ela apareceu. Nada de diferente, os carros passavam tranqüilos no quebra molas em frente ao banco que me sentava. Clima quente com nuvens me dando uma colher de chá. Naquele encanto sem jeito, crianças vestidas com uniformes azuis esperavam e pulavam enquanto o semáforo fixava a cor vermelha.

Era o maior barato. Não conseguia pensar em nada além de olhar, olhar e admirar o jeito como caminhava e iluminava meu dia. Pisei de mal jeito num buraco. Burrice aceitável. Eu a olhava...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Era começo de inverno e o casaco já havia sido retirado do guarda roupas.

Portas fechadas.

A casa ungia ao atrito do vento que entrava pelos cantos do portão. No céu, aquele azul cyan calmo e tranqüilo. Caminhar pela rua. Esvaziar a cabeça.

As árvores se movem e a rua continua em silêncio. Os cães vasculham o lixo. É uma manhã calma no subúrbio.

As esquinas com um vento cortando a face. Caimos num pensamento progressivo de pensar em tudo ou em nada. Bicicletas no horizonte... bicicletas... Minhas meias estão molhadas. A chuva deixou poças no caminho. Padeço de lógica, uma lógica desconfortável.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"Eu desço do escapulário de prata e espalho afeição num chão de marfim
Há meros devaneios tolos a me transmudar
Fotografias recortadas em locais onde me encontro amiúde"

Zé Ramalho / paródia

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Trata-se do instante decisivo
O movimento esperado em segundos de apreensão
Observo a cor do ar. O ritmo das pessoas. Pouso sobre a cena
São várias expressões. Um teatro a céu aberto
Se refaz o sentido caótico. Constrói-se o ordenado
É a lente que a apanha a profundidade... Do profundo de cada imagem

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Hoje tive a oportunidade de escrever um poema. Acordei e logo peguei um pedaço de papel guardado na gaveta do meu armário. Não tinha nítido o que registrar, mas costumo pensar que as palavras são pássaros com longas asas que sobrevoam largas altitudes.

Queria, sei lá, dizer algo; sem grandes pretensões. Sentir a sensação do prumo contra o vento.

Pura bobagem, quem nunca sonhou com isso? Mas aposto que essa é a vontade de qualquer bom homem.

Isso inclui uns lances como seguir adiante, levar uma vida simples, modesta; ter amigos... Fugir da discórdia. Ter uma casa com um vasto quintal, um portão para lixar e pintar nas férias. Um bom cão, uma boa mulher e um moleque para ensinar coisas boas. Acredito que um bom homem pode guiar a vida através das palavras, pois elas possuem uma força inigualável de concretizar o que já existe. Resolvi, então, ter cuidado e escolher as aves mais apropriadas para enfeitar o céu do meu poema.

Fui selecionando, passo a passo, o nome de cada uma delas e, foram surgindo uma mais esmera que a outra, acompanhadas de longas caldas e penas descomedidas.

E, quando já estava pronto para terminar o segundo verso, falei um pouco do que esperava do mundo e o que o mundo esperava de mim. Passou-se alguns segundos. Descobri que, na verdade, ele não exige tanto quanto exijo dele e permaneci em silêncio. Visualizei algumas nuvens, e me imaginei às vezes contra; às vezes a favor do vento. Foi quando percebi que sobrevoar o céu não é um dom dado somente aos pássaros e que eu também havia alçado vôos inimagináveis. Terminei a poesia, era mais uma entre tantas. Novamente, senti estar perto do que considero ser bom. Nada demais, só estou satisfeito por mostrar a vocês o quão podemos ir longe através de orações, verbos... palavras...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Uma brisa cercava os quatros cantos da cidade. Tínhamos a leve impressão de que o ano seria muito interessante. Por enquanto, as ruas estavam vazias, a poluição não era tão visível e o eco dos becos soava nitidamente. Pensava-se na paz. Seus olhos cunhavam esperança e vivacidade. Tinha na palma das mãos o desejo de mudar o mundo, o coração carregado de utopias e não tinha vergonha em exibi-lo. Estava com o peito exposto a qualquer bala tracejante. Não tinha medos. Pudesse vir o que viesse, ele estava disposto. Era só o vento de encontro ao prumo das possibilidades.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Era engraçado meu jeito de caminhar
Os dias mal começavam e eu já estava em seus braços
Você brincava com a vida. Aceitava meu jeito
E mesmo que te incomodasse ser atrapalhado, confiava no esforço em querer vê-la bem

Vivia num mundo diferente. Ria de vez em vez
Era sempre. Sempre assim
Bonita. Muito bonita.
Com seu cabelo despenteado.
Que maravilha. Que coisa mais linda era o meu amor
Por entre jatomovéis, ruas e avenidas
Esperava sempre. Estava lá.
Meu amor partilhava a natureza da idolatria

Mas, lá fora está chovendo
E não tem jeito. Eu vou correndo...
Só ver o que sobrou do meu amor

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Pelos céus e as estrelas!

Que as águas desses mares inundem seus pulmões e sufraguem a penitência dos lobos caçadores de fêmeas. Tirem logo a libido que navega em suas veias, pois essa bravata levará anos para ser concluída. Novos continentes serão nosso objetivo. Novas mercadorias serão nosso alvo. Novos inimigos nos esperam. Vamos! Traga o vinho marujo. Aqui há somente uma mulher para a tripulação. Ela será nosso remédio para o enfado trazido pelo vacilo das ondas. Conquistemos o mundo! Agora, rumemos ao infinito...

- Senhor, já não temos água.

Ora, não me interrompa marujo. Toda água que precisamos está à nossa volta. Siga sempre o caminho indicado pelos astros e lá encontrará a fonte de tudo o que precisa. Por enquanto, se contente com o vinho que, apesar de não ser de boa safra, cura a amargura dos que tem sede de sangue.

- Capitão! Muito bem Capitão. Suas palavras são como mel das abelhas que sobrevoavam as flores do paraíso perdido.

Obrigado Marujo... Mas deixe os versos para o diário de bordo. Lá você poderá descrever todas as virtudes desse velho Lobo do Mar. Mas voltemos aos nossos planos: deixaremos as velas como estão até que o alvorecer nós mostre uma nova rota. Com isso, teremos mais tempo até que a neblina se desperce. Não vou repetir, prestem atenção marujos! Aqui no mediterrâneo o leme deve ser tratado com cuidado. Estamos a cada dia mais cercados por esses ratos ingleses. Se fizerem o trabalho de vocês do jeito que tem que ser feito, prometo que chegarão vivos em terra firma. Poderão até, quem sabe, dormi no afago de uma bela portenha...

- Senhor, já não temos comida.

Não creio nisso! Estas a me aborrecer novamente? Já disse que nada será negado se seguires o caminho dos mares? Qual o problema? Não consegue ver um palmo a frente da razão. És um roedor, um rato! Temes o destino como quem teme a morte numa noite mal dormida... Olhe bem marujo, estamos aqui perante uma tribulação de mais de 200 homens e você profere asneiras como uma boca de esgoto a céu aberto.

- Perdão Capitão! Perdão...

Não sei o que fiz para merecer servos tão destituídos de inteligência. Oh céus, me dai paciência! Quantas vezes preciso repetir que somos piratas e, não "trabalhamos". Nada do que temos foi conseguido com o nossos esforços. Nós simplesmente saqueamos o que os outros conseguiram através do que eles fazem. Nesse mar tão imenso deverá haver embarcações que nos fornecerão sustento. Ou o marujo está pensando que vamos cada um no mercado comprar os mantimentos necessários?

Não, não! Não diga nada. Você não é mais do que um rato de convés. O que você diz não são verdades absolutas aqui nesse barco...